LINHAS CURATORIAIS

A programação do Centro de Dança do DF em 2018 se estrutura em três linhas curatoriais que compõem módulos. São elas: 1) “Dança e memória”, para refletir a memória da dança no DF e no Brasil como algo vivo e dinâmico; 2) “Dança e diversidade”, para pensar o corpo na dança hoje como produtor de diferenças e dissonâncias, capaz de produzir modos diversos de mobilizar contextos; e 3) “Dança e infância”, para projetar a infância como dimensão inventora de futuros no aqui e agora.

Dança e memória

Período: 28 de fevereiro a 17 de junho

Como a própria experiência coreográfica pode tratar da memória da dança? Como diferentes perspectivas históricas podem ser processadas no corpo, em imagens e em textos? Como a dança – enxergada exclusivamente em sua imaterialidade efêmera – pode implicar-se diretamente na história de seu país, indo além da “história oficial” narrada nos livros ou de danças sobre temas históricos, dando movimento aos seus próprios percursos? Como a coreografia pode ser entendida como um dispositivo de documentação e registro da experiência criativa na dança? Nessa direção, a linha curatorial “Dança e memória” relaciona criadores e criadoras que construíram o campo da dança no DF, com o intuito de colocar em movimento os seus arquivos, mas, sobretudo, colocá-los em ação no momento presente. Quais pessoas, técnicas, corporalidades, peças, narrativas atravessam esse contexto do ponto de vista histórico, de modo a perceber passado-presente-futuro como instâncias temporais passíveis de constante atualização?

Dança e diversidade

Período: 18 de junho a 16 de setembro

A dança como produtora de diferenças no mundo e nos modos de se compor coreograficamente. Na linha curatorial “Dança e diversidade”, o desejo é pensar a dança fora de qualquer moldura de hegemonia, de qualquer sujeição colonizadora, para que seja possível gerar complexidades nas diversas danças que são produzidas no Brasil hoje. O corpo e seus possíveis modos de existir. O corpo, seus desejos e as disposições políticas decorrentes dessa relação, para além de binarismos normatizadores que tentam regular e controlar a sua potência: homem X mulher; erudito X popular; centro X periferia; arte X entretenimento; tradição X atualidade.

Dança e infância

Período: 17 de setembro a 15 de dezembro

Além do sentido cronológico de infância enquanto etapa do crescimento, além da ideia de faixa etária, a linha curatorial “Dança e infância” entende a infância como uma atitude criadora de mundos em que ficção, realidade, imaginação e materialidades são instâncias para serem colocadas em situação de jogo. Partindo dessa perspectiva, problematiza-se o lugar da infância e da criança na dança. Como pensar a infância por meio de diferentes estratégias compositivas? Como pensar dança para crianças? E dança com crianças? E dança sobre infância? E dança através da infância? As noções de infância e de corpo são construções históricas provisórias e em constante processo de redefinição. Tanto a dança feita para criança como a dança feita a partir de certos universos/imaginários infantis são produtoras de significados na cultura e, portanto, são formativas, pedagógicas e performativas.