Centro de Dança novamente de portas abertas 01/03/2018

Dezenas de dançarinos, bailarinos, coreógrafos, artistas e autoridades públicas se reuniram na noite dessa quarta-feira (28), no Setor Cultural Norte, para celebrar a reabertura do Centro de Dança do Distrito Federal. Uma conquista aguardada há pelo menos cinco anos, desde que o espaço foi fechado por problemas estruturais.

Veja aqui a galeria de fotos

O secretário de Cultura, Guilherme Reis, ressaltou a participação popular como um pilar fundamental da reabertura do Centro de Dança. “Essa é a primeira entrega de um equipamento público cultural que teve 100% da sua revitalização realizada em diálogo com a sociedade civil, desde a definição do perfil do uso até a formulação da primeira política específica para o setor (Política de Estímulo e Valorização da Dança – Portaria nº 250), com princípios que vão reger a utilização deste espaço e tudo relacionado à dinamização, crescimento e fomento da atividade da dança”, garantiu.

Para Guilherme Reis, o Centro de Dança de portas abertas contribui para retomar o estímulo à pesquisa e ao desenvolvimento do setor em todo o DF. “Aqui, hoje, há muita gente que fez a história da dança de Brasília e certamente outras que darão continuidade a esse legado”, disse.

Na cerimônia, o governador Rodrigo Rollemberg refirmou o compromisso do governo com a democratização do acesso aos recursos da cultura. “Assim como os editais regionalizados do FAC, esse espaço vai ser um templo da diversidade cultural do Distrito Federal. Uma diversidade que nós devemos ampliar e fortalecer cada vez mais”.

Além de ter passado por uma ampla reforma estrutural, o Centro de Dança do DF a partir de agora será gerido de forma compartilhada pelo governo em parceria com a sociedade civil. Neste primeiro ano, a programação do Centro de Dança ficará a cargo da Associação Conexões Criativas, organização da sociedade civil selecionada por meio chamamento público. “Sabemos que aqui é um espaço de luta, resistência e arte. Queremos compor essa gestão de forma colaborativa, com muito carinho e cuidado”, resumiu Jorge Alencar, representante da Conexões Criativas.

Espaço moderno e acessível
O Centro de Dança teve todo piso reinstalado, está com fachada e banheiros reformados, sistemas elétrico e hidráulico adequados, iluminação modernizada e acessibilidade, com rampas, sinalização e corrimãos adequados. O custo total da obra ficou em R$ 3,2 milhões, financiados pela Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap). A revitalização do Centro de Dança do DF integra o Programa Lugar de Cultura, de ações continuadas para a valorização e a preservação do patrimônio da cidade.

São cinco salas destinadas às práticas corporais; sete salas para práticas de produção, gestão e reflexão teórica; videoteca; jardim interno, salão de estar e cozinha.

Aos 74 anos, a bailarina clássica e coreógrafa Regina Maura Berardinelli, que já percorreu dezenas de salas de dança pelo mundo, ressaltou a qualidade da estrutura oferecida no Centro de Dança. “Estou muito feliz com essa reinauguração porque aqui a dança tem a chance de se mostrar. A sala está com linóleo excelente e som ótimo. É um espaço de encontro, de conversa, de confraternização formidável”, elogiou.

Para Roges Moraes, dançarino do Projeto Pés de Teatro-Dança para pessoas com deficiência da Universidade de Brasília, a reativação de um espaço como este é fundamental para “não deixar morrer a dança do Distrito Federal”. “O lugar é grande, bacana. Por onde passei, consegui me locomover bem, mas sabemos que a questão da acessibilidade precisa ser constantemente observada e aperfeiçoada”, afirmou.

Para todos os estilos e estéticas da dança
Agora de portas abertas, o Centro de Dança já está pronto para receber propostas de ocupação de suas salas. Para apresentar pautas, os interessados precisam ter mais de 18 anos e estar cadastrados no Mapa nas Nuvens – Cartografia Cultural do DF. Mais informações sobre as convocatórias públicas estão aqui.

Para Fabiana Balduína, a Fabi Girl do grupo de breaking dance BSB Girls, a reabertura do Centro de Dança “é muito simbólica para quem historicamente sempre dançou nas ruas”. “Um grupo de dança urbana ter a possibilidade de uma sala, com piso legal, para dançar num aparelho público é muito interessante. Especialmente para nós que somos mulheres, um espaço com conforto e segurança faz a diferença”, explicou.

Seminário Abre Alas
A agenda 2018 do Centro de Dança já inicia hoje (1/3) com o Seminário Abre Alas, gratuito e aberto a toda a comunidade. Até o dia 3/3 serão realizadas mesas-redondas com representantes da cena de Brasília e de outras unidades da Federação, lançamentos de livros, mostra de videodança e a instalação coreográfica Biblioteca de Dança. Veja aqui a programação completa do Seminário Abre Alas.

Até o dia 17 de junho, a exposição fotográfica “A história que se dança” também permanece em cartaz. A mostra apresenta 30 fotos de artistas de grupos locais do setor, com base no acervo da exposição sobre os 45 anos da dança no DF, organizada por Marconi Valadares e Yara de Cunto.

O que simboliza a reabertura do Centro de Dança para você?
“Revitalizar e abrir novamente esse espaço da dança é muito importante para a cidade porque fortalece todo um trabalho de formação artística, de oportunidade de intercâmbio, de pesquisa. Eu tive um irmão bailarino, que nasceu na cidade e representou Brasília pelo país e no exterior. Pra mim é hoje um momento de muita emoção, um encontro com a minha história”.
Márcia Rollemberg, primeira dama e colaboradora Governo do Distrito Federal

“Esse Centro de Dança também será um espaço para preservar a cultura popular brasileira, que é maravilhosa, mas muitas vezes não valorizada. Para mim, uma capital de país que não tem um espaço para reunir as pessoas para dançar é como uma pessoa sem coração. Este Centro de Dança é o coração da cidade e cada mestre e professor de dança uma veia/artéria vai levar o sangue da cultura da dança para todo corpo da cidade”.
Jorge Marino de Carvalho, 76 anos, mestre de frevo, presidente do Grupo Folclórico Passistas de Brasília.

“É a realização de um sonho ver este local aberto e várias estéticas diferentes da dança ocupando o mesmo local: do clássico, do contemporâneo, da dança de rua. Isso mostra o lado democrático da cultura do DF”.
Alan Jhone, B.boy Papel, 36 anos, membro do grupo de breaking In Steps de Ceilândia

“Hoje renovamos a esperança. Precisamos tomar consciência de que nossa participação ativa transformará o Centro de Dança em um espaço dinâmico e que possa abrigar as varias complexidades da dança.”
Yara de Cunto, 79 anos, coreógrafa de dança contemporânea